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Entre emoções e escolhas: caminhos para o bem-estar financeiro 

A relação entre saúde emocional e planejamento financeiro é mais próxima do que costuma parecer. Para a psicóloga Edna Audi, as duas dimensões se influenciam o tempo todo: problemas financeiros elevam o estresse e a sensação de insegurança, enquanto estados emocionais fragilizados comprometem o autocontrole, a organização e a tomada de decisão.

Em momentos de ansiedade, frustração, solidão ou baixa autoestima, o consumo pode surgir como uma forma de compensação emocional. A compra traz um alívio imediato, mas passageiro. Depois, vêm a culpa, o arrependimento e a preocupação com as contas, alimentando um ciclo repetitivo de desconforto e impulso. “É um perigo para o bolso”, resume Edna, ao descrever um comportamento que muitas vezes começa como tentativa de conforto e termina em mais sofrimento.

Segundo ela, o endividamento também pode desencadear ou agravar quadros de ansiedade e depressão. Isso ocorre sobretudo quando a pessoa percebe que perdeu o controle da própria vida financeira e não vê uma saída imediata. O resultado costuma ser um estado de medo, angústia e insegurança, que afeta não apenas o orçamento, mas a rotina, os relacionamentos e a saúde mental.

Outro sinal de alerta é a evasão. Deixar de olhar extratos, evitar organizar contas ou adiar conversas sobre dinheiro pode indicar sofrimento emocional, paralisia diante do problema ou simplesmente medo de encarar a situação. “É uma estratégia de fuga e, perigosa, pois colabora para aumentar o problema”, reforça a psicóloga.

Edna chama atenção ainda para a pressão das redes sociais, que expõem apenas recortes elaborados da vida alheia. “A comparação constante pode gerar sensação de insuficiência, baixa autoestima, ansiedade e frustração.  E na tentativa de acompanhar os padrões idealizados nas redes sociais acabam gastando além do que podem, entrando em dívidas, realizando compras impulsivas, priorizando aparência de sucesso em vez de estabilidade ou ainda, utilizando consumo, como forma de sentir pertencimento ou sucesso social”.

Para a especialista, o planejamento financeiro também pode funcionar como ferramenta de bem-estar emocional. Quando há organização, a mente ganha previsibilidade, segurança e sensação de controle. Por isso, a educação financeira aparece como um ponto de virada. Aprender a planejar, registrar gastos, estabelecer metas e pensar no curto, médio e longo prazo ajuda a construir uma relação mais madura com o dinheiro. E esse aprendizado, reforça ela, deve começar cedo, ainda na infância.

Há, também, diferenças entre gerações na forma de lidar com as finanças. Cada grupo foi moldado por contextos sociais, econômicos e culturais distintos, o que influencia hábitos de consumo e percepções sobre dinheiro. Mas alguns sinais de que a relação com as finanças deixou de ser saudável são comuns: sofrimento constante, prejuízo nas decisões, conflitos familiares e desequilíbrio na rotina.

“Além disso, temos um novo problema, o vício em jogos e apostas, tão veiculados na mídia, e que estão se tornando um problema de saúde pública, porque faz aumentar o endividamento, o sofrimento emocional e familiar. No jogo, a pessoa perde o controle, gasta mais do que tem, faz dívidas, sendo necessário o tratamento médico e psicológico”, ressalta Edna.

Diante do descontrole financeiro e emocional, o primeiro passo, segundo a especialista, é buscar ajuda e “puxar o freio de mão”. Organizar contas, mapear receitas e despesas, revisar gastos, renegociar dívidas e envolver a família são medidas práticas para retomar o controle. Em paralelo, o apoio psicológico profissional pode ser decisivo para compreender padrões de comportamento e reconstruir o equilíbrio. No fim, conclui a especialista, saúde financeira e saúde emocional não são temas separados. Quando existe estabilidade em uma ponta, a outra tende a respirar melhor também.

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